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Sábado, abr. 4, 2026

Tradicional Regata Buenos Aires–Rio conclui sua 28ª edição

Tradicional Regata Buenos Aires–Rio conclui sua 28ª edição

A XXVIII Regata Oceânica Buenos Aires–Rio, uma das mais tradicionais e antigas competições de vela oceânica da América do Sul, com primeira edição em 1947, reuniu 13 embarcações e 95 tripulantes da Argentina, do Brasil e do Uruguai. A flotilha percorreu 1.120 milhas náuticas entre o Yacht Club Argentino (YCA) e o Iate Clube do Rio de Janeiro (ICRJ), com largada no dia 14 de fevereiro de 2026, às 15h, sob ventos entre 17 e 20 nós.
O grande vencedor da edição foi o barco Double Black, comandado por Diego Belli. Completaram o pódio geral o Fuga, de Mariano Delgui, em segundo lugar, e o Der Bekannte 2, de Jurgen Julio Berger, em terceiro. A tradicional Fita Azul – concedida ao primeiro a cruzar a linha de chegada – ficou com o Fortuna III, que concluiu o percurso às 00h25min28s do dia 21 de fevereiro, após 6 dias, 9 horas, 25 minutos e 28 segundos de navegação, terminando em 3º lugar na classe ORC 1 e 9º na classificação geral. Todos argentinos.
O único representante brasileiro e do ICRJ, Áries III, comandado por Marcos Soares Pereira, conquistou o primeiro lugar na categoria ORC Tripulação Reduzida. A embarcação chegou ao ICRJ no dia 23 de fevereiro, completando o percurso em nove dias, pouco mais de sete dias no tempo corrigido, e alcançando a quarta colocação geral.
Essa é a primeira vez que o Áries III concluiu o percurso, já que em outras duas edições, imprevistos e avarias impediram a chegada.
A cerimônia de premiação foi realizada no dia 25 de fevereiro, à beira da piscina do clube, reunindo tripulações e convidados em uma confraternização que celebrou mais uma edição bem-sucedida da histórica regata.

Regata Buenos Aires – Rio 2026 – A realização

Passados três anos...
Um 2023 distante, mas nem tanto.
Tornar um delírio em sonho.
Tornar o impossível, ou quase, em possível.
Como não desanimar, como não desistir, frente a tantas dificuldades.
São tantas as variáveis: obras necessárias, orçamento limitado, tempo escasso.
É, participar de uma Regata Oceânica não é algo simples.
Acordo suando, pesadelos, ansiedade.
Não vai dar. Desisto. Tudo é delírio, muito dinheiro, o trabalho não deixa.
Vou buscando consolo nas infinitas dificuldades.
Para quem deseja, para quem sonha, qualquer incentivo é catalizador de energia.
Energias positivas, vou me alimentando delas.
A principal, o apoio de minha mulher.
“Você merece realizar seu sonho.”
“Afinal, dinheiro é para ser usado, não guardado!”
Eu, para a sociedade, um ancião, 60+, idoso.
Não, não me sinto assim, mesmo percebendo limitações do corpo, da mente.
Ainda vivo, muito vivo, saudável e capaz, navegar, velejar, ainda possível.
Fechada a tripulação!
Somos: 60, 50, 40, 30 anos.
Décadas nos separam, uma Regata nos une.
Parto para a travessia até Buenos Aires!
Em tese, vento e mar a favor.
Na realidade muito mar, muito vento, na cara, de proa!
Algum sofrimento, tanto para o barco, quanto para os marinheiros.
Levo o barco pouco tripulado.
Do Rio a Itajaí, somos três: Miguel, Vinicius e eu.
De Itajaí a Rio Grande, somos: Vinicius e eu.
Nessa perna, algum sofrimento.
Mar e vento contras em dois momentos.
Bombas de porão dando defeito!
Motor vazando óleo.
Ufa! Em Rio Grande aportamos!
Manutenções necessárias performamos.
Miguel volta ao barco.
Do Rio vem até nós de várias conduções, faltou patinete, pois de resto, ele usou.
De Rio Grande a Buenos Aires, algo mais tranquilo.
Chegamos! Mais uma vez, tapete vermelho!
Yacht Club Argentino, YCA, qual ninho nos recebe.
Os tripulantes vão chegando do Rio: Zé e Breno.
Agora somos os cinco!
Miguel, José Guilherme e Breno nunca navegaram no ARIES III.
Surreal entrar num barco pela primeira vez e encarar 1.200 milhas!
Miguel até que navegou um pouco, trazendo do Rio o barco,
Mas em cruzeiro, de motor e pano, não é a mesma coisa.
Iniciamos nosso relacionamento, grupo, só no tempo seremos equipe.
Largamos rizados, muito vento, muito mar, ondas curtas e frequentes.
Largamos às quinze horas!
Chega a noite, o vento aperta, o mar cresce, tudo molhado!
Somos três a dividir os turnos.
O barco sofreu pequenas quebras, mas não nos deixa na mão em nenhum momento.
Vamos navegando mais e mais perto dos barcos modernos, velozes.
A tripulação vai se excitando, mas eu tento manter o controle, não forçar os materiais.
Chegar, inteiro, o maior mantra! Meu coração não aguentaria mais uma desistência!
E o Rio vem se aproximando, outros barcos cruzam a linha de chegada.
“Vamos que vamos!”
Já bem perto, 30 milhas nos separam da chegada.
Última madrugada, último amanhecer.
Sabedores do deserto de ventos existentes na chegada, em Niterói aproamos!
Subimos nosso lindo balão, azul estrelado, vamos chegar no estilo.
Jaibe atrás de jaibe, da chegada, vamos nos aproximando.
Tensão do segurar o grito, a felicidade do desafio cumprido, fazemos silêncio.
Entrada da Baía da Guanabara, quase casa, quase ninho, de tão conhecida.
Cruzamos! Somos êxtase, somos vitória, somos realização!
A realização do impossível, que juntos, tornamos possível.
Chegamos em terra, Iate Clube do Rio de Janeiro querido!
E para consagrar a performance, um 4º lugar geral e um 1º na Classe ORC Reduzida.
Cereja no topo do bolo da merecida e aguerrida tripulação!
Eu saúdo o ARIES III, antigo RECLUTA II, que nos seus 56 anos de existência, brilhou.
Feliz por realizar um dos itens da minha “Bucket List”.
“Os sonhos nunca envelhecem!”

Marcos Soares Pereira
Rio de Janeiro, 19/03/2026

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